‘Meu Nome É Chihiro’ traz ótima protagonista, mas peca pela falta de profundidade
Taynna Gripp
O que uma ex-profissional do sexo, uma adolescente que não consegue se enturmar, um menino encrenqueiro e uma senhora cega têm em comum? Todos eles são do mesmo planeta. E não, Meu Nome É Chihiro (Call Me Chihiro) não é um filme de ficção científica e não traz outros planetas além do nosso, mas, para a doce e gentil personagem principal, todos os seres são de planetas diferentes, a não ser aqueles com os quais nos sentimos genuinamente bem.
Chihiro (Kasumi Arimura) trabalhou por um tempo como acompanhante, mas agora sua vida é pacata enquanto ela divide sua rotina entre seu trabalho atual – uma casa de bentôs – e ser bondosa com todos que atravessam seu caminho.
A jovem talvez seja a personagem mais bondosa que já pisou naquela cidade litorânea. É caridosa com moradores de rua, tem paciência com os homens que ainda a assediam por conhecê-la de antes, é generosa com Makoto (um garoto agressivo que acaba encontrando em Chihiro uma companhia) e ainda é carinhosa com Kuniko (uma adolescente que tem problemas familiares e a stalkeia nas ruas da cidade).
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Erro no roteiro
Até o segundo ato, o filme segue em uma velocidade lenta, apresentando os personagens, mas não aprofundando suas tramas. Erro que o roteiro do filme comete, mas que o mangá no qual ele é baseado não.
Meu Nome É Chihiro deixa, conforme as cenas bem dirigidas e com fotografia atraente vão passando, o gosto de quero mais sobre cada conflito que os personagens secundários sofrem, seja a mãe ausente de Makoto que trabalha demais ou o pai cruel de Kuniko.
Talvez o filme tenha sido feito considerando o público do Japão que possivelmente já conhece a história da carismática Chihiro, mas a verdade é que seja essa uma escolha proposital ou não, deixa a desejar, principalmente quando aborda a vida de sua protagonista tão superficialmente.
Pouco se consegue descobrir de quem é ela, afinal de contas. Embora tenha todas as características de uma pessoa magnífica, Chihiro é solitária, enfrentou problemas com a mãe e sequer consegue demonstrar empatia ao saber de sua morte. Em dado momento, desabafando com uma amiga, a própria admite que não consegue se apaixonar, compara o amor à embriaguez, se diz inapta.
Meu Nome É Chihiro terá continuação?
Dentro dos quase 140 minutos do filme, há o deleite pelas cenas bem construídas, pelos silêncios ocasionais que ditam o ritmo mais lento. E há ainda o carinho que criamos pela mulher que nomeia a trama.
Pode ser improvável, mas, uma continuação seria muito bem-vinda para, quem sabe assim, termos mais uns bons minutos de Kasumi Arimura, que está tão bem em sua protagonista. Só assim para conhecermos mais da vida e da solidão de Chihiro.
Onde assistir ao filme Meu Nome É Chihiro (2023)?
A saber, Meu Nome É Chihiro estreou nesta quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023, no catálogo da Netflix.
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Por fim, não deixe de acompanhar o UltraCast, o podcast do Ultraverso:
Trailer do filme Meu Nome É Chihiro, da Netflix
Meu Nome É Chihiro: elenco do filme da Netflix
Kasumi Arimura
Hana Toyoshima
Tetta Shimada
Ficha Técnica do filme Meu Nome É Chihiro (Netflix)
Título original do filme: Call Me Chihiro
Direção: Rikiya Imaizumi
Roteiro: Rikiya Imaizumi, Kaori Sawai, baseado no mangá de Hiroyuki Yasuda
Duração: 131 minutos
País: Japão
Gênero: drama
Ano: 2023
Classificação: 14 anos