Ratos de Porão Necropolítica 2022 crítica do álbum

Foto: Divulgação

Ratos de Porão soa (mais uma vez) atemporal e direto em ‘Necropolítica’

Cadu Costa

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14 de maio de 2022

Durante todos os 40 anos de carreira, o Ratos foi uma banda que soube ler o Brasil como poucas. Desde o primeiro disco Crucificados pelo Sistema, de 1984, passando pelo clássico Brasil, de 1989, João Gordo, Jão, Boka e cia traçaram caminhos atípicos dentro do punk/hardcore a ponto de virarem populares de boa parte do público.

Então, após oito anos de hiato, o Ratos de Porão volta com o 13º álbum de estúdio, Necropolítica. O tema? A eterna decepção com o (des)governo atual e o de sempre.

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Antifascista

Na prática, nada mudou desde a origem do Ratos. Se em 1993, a banda cantou “Suposicollor” para falarem do ex-presidente Fernando Collor, que renunciou um ano antes, agora eles dedicam todo o disco a descascar a ‘necropolítica’ de Jair Bolsonaro. A começar pela faixa de abertura, “Alerta Antifascista”:

“Ditador que come gente
Um perigo eminente
Mentiroso imoral
Ser humano decadente
Especialista em matar
Privatizando o presente
Sem futuro para sonhar”

Covid-19

O tema Covid-19 e a forma mambembe do Brasil lidar com a pandemia também são abordados na música “Aglomeração”.

“Negando a realidade
Neopentec antivacina
Ozônio vai no cu
não esqueça a cloroquina
Matando a própria mãe
Por esta luz que te ilumina
A morte é mais que certa
No hospitalzinho do terror
Jesus te proteje na aglomeração
Sem máscara!”

Porrada no bolsonarismo

E Necropolítica tem mais oito músicas metendo o pau no bolsonarismo e a ascensão da extrema-direita no país. Questões sociais, neonazismo, religião, política externa, nada escapa do bom e velho Ratos de Porão.

Musicalmente, é a mesma fórmula que a banda popularizou ao unir trash metal com o punk/hardcore. Boka continua com ótimas viradas de bateria e é ele quem dá o tom das rodas de pogo. Jão mostra a velha rapidez em “Guilhotinado em Cristo” e Juninho completa a cozinha sem comprometer e trazendo sangue novo com um baixo groovado e pesado.

Disco necessário

João Gordo continua vivo, forte, atento aos problemas do Brasil e com uma voz ainda poderosa. Em recente entrevista, chegou a dizer sentir medo por suas letras antigas serem atemporais pois parece que o país nada mudou. E ele tem razão. Necropolítica chegou a ser chamado de Brasil (1989) Parte 2.

Mas não pode ser negado também que qualquer disco que queira narrar os fatos de hoje se torna algo extremamente necessário de ser ouvido. E Necropolítica é, acima de tudo, um bom disco de hardcore do Ratos de Porão, com temas relevantes e carisma suficiente para (mais uma vez) serem atemporais.

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Ouça Necropolítica, novo do álbum do Ratos de Porão

Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.
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Créditos Galáticos: 4

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